o famoso prédio na rua 24 de maio é respeitado por adeptos do brega ao pop, do rock ao hip-hop,
Inaugurada em 1963 como um centro comercial com alfaiates, lojas de serigrafia e salões de beleza, a Galeria do Rock, na Avenida São João, no centro de São Paulo, A transformação veio aos poucos, pela margem: em 1976, o vocalista da banda Olho Seco abriu ali a loja punk Wop Bop.
Nos anos 1980, quando o skate ainda era considerado vandalismo e sua prática em espaços públicos era criminalizada, a Galeria abrigou a primeira loja de skate de São Paulo. O que era marginal encontrou endereço fixo ali. O mesmo aconteceu com o piercing, a tatuagem, o hip hop, o hardcore. expressões que a cidade ainda não sabia muito bem onde procurar.
Hoje, com 450 lojas — sendo 218 dedicadas ao segmento de rock —, a Galeria do Rock é considerada um dos símbolos da democracia cultural de São Paulo. um espaço onde as tribos urbanas convivem de forma pacífica, contribuindo para a quebra de preconceitos. Punk ao lado de skatista, fã de metal ao lado de colecionador de vinil, salão afro no mesmo corredor que loja de quadrinhos. Um lugar onde o que era considerado marginal se tornou mainstream e onde a arte urbana encontrou palco.
O edifício é tombado pelo Conpresp, o Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico de São Paulo, e faz parte das rotas culturais apoiadas pela Prefeitura. Mas sua proteção mais real nunca veio de decreto — veio das pessoas que escolheram estar ali, geração após geração, porque a Galeria do Rock sempre aceitou quem a cidade ainda não sabia como receber.

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