Quando pensamos na presença de figuras do alto Judiciário na Bienal do Livro de São Paulo, a primeira imagem que vem à mente costuma ser a de simpósios formais ou debates teóricos e densos. No entanto, o estande da Editora Mostarda prova que o caminho é o da aproximação entre o Direito e o universo infantojuvenil.
A participação da ministra do Supremo Tribunal Federal (STF), Cármen Lúcia, e da juíza da Vara da Infância e da Juventude, Flávia Martins de Carvalho, reforça uma transformação necessária no mercado editorial e na educação. Temas como Constituição, garantia de direitos, acolhimento e democracia deixaram os gabinetes para ganhar as páginas de livros voltados às novas gerações.
Alfabetização Democrática
Em O Livro da Democracia, escrito por Cármen Lúcia em parceria com Mariana Oliveira e o personagem Sabichinho, a proposta é explicar o que é a vida em comunidade e como os direitos são conquistados. Da Grécia Antiga às urnas eletrônicas, a obra não entrega respostas prontas, mas instiga o senso crítico das crianças sobre regras, deveres e cidadania.
Formar leitores conscientizados sobre o papel das leis não significa antecipar a maturidade das crianças de forma rígida, mas dar a elas ferramentas para entenderem o mundo em que vivem e o valor da liberdade.
O Sistema de Acolhimento Humanizado
Se por um lado a democracia fala do coletivo, os direitos da infância tratam do indivíduo. Em A Menina e a Toga, a juíza Flávia Martins de Carvalho e Micaela Prado narram uma história real de pertencimento e afeto. A obra aborda a trajetória de Micaela, que passou parte da infância sob a guarda do Estado, e seu encontro com a magistrada.
O título desconstrói a figura distante da justiça ao mostrar como a rede de apoio, o acolhimento institucional e a escuta atenta são determinantes para transformar trajetórias vulneráveis.
Cidadania como prática literária
A literatura infantojuvenil com foco em cidadania e direitos sociais cumpre um papel fundamental de mostrar que leis e instituições não são abstrações distantes, mas estruturas criadas para proteger as pessoas.
Quando editoras investem em narrativas que traduzem a Constituição e o sistema de garantias para a linguagem das crianças, elas ajudam a formar adultos mais conscientes, empáticos e preparados para defender seus direitos e os do outro.








Deixe um comentário