A vida de Sebastiana de Mello Freire (1887–1961), conhecida como Dona Yayá, é contada com força narrativa e sensibilidade cênica na temporada de estreia de Um Tempo Chamado Yayá e, agora, retorna aos palcos para uma nova temporada que começa em 9 de outubro, na Funarte SP.

Herdeira de uma considerável fortuna, Dona Yayá precisou enfrentar um labirinto de impedimentos e preconceitos que a levaram a um destino de confinamento em uma casa. O fio condutor desta trajetória é o motor criativo que move o espetáculo, propondo uma leitura ampliada sobre doença mental a partir de um contexto cultural e social específico.

Sob a direção de Patrícia Teixeira, a montagem não se limita a recontar fatos biográficos. Ela propõe uma reflexão crítica sobre como a saúde mental tem sido historicamente moldada pelas lentes de gênero, classe e poder. Ao falar de Dona Yayá, o texto convida o público a reconsiderar as formas de institucionalização das mulheres ao longo da história, revelando as engrenagens de uma sociedade que, muitas vezes, prefere aprisionar ideias e corpos ao invés de compreender a complexidade humana que habita cada pessoa.

As sessões acontecem às sextas e sábados, às 20h, e aos domingos, às 19h, até 1º de novembro. A programação na Funarte SP transforma a experiência de assistir a uma biografia tão carregada de simbolismo em uma oportunidade de debate sobre temas relevantes para o mundo atual: saúde mental, desigualdade, autonomia corporal e as variadas expressões de resistência feminina.

No elenco, destacam-se as interpretações de Alana Carvalho, Gabriela Pietro, Gislaine Mendes, Janaína Reis, Lia Xavier, Natália Duzzi, Onil Mello Jr, Sandra Crobelatti e Silvia Fuller. Cada atriz assume diferentes fases da vida de Dona Yayá, oferecendo um mosaico de memórias, emoções e conflitos que compõem a identidade da personagem e, por extensão, a experiência histórica de mulheres que foram interditadas pela sociedade de suas épocas.

Serviço

Título: Um Tempo Chamado Yayá

Texto e direção: Patrícia Teixeira

Processos colaborativos: Cia. Coexistir de Teatro

Local: Funarte SP

Sessões: sextas e sábados, 20h; domingos, 19h

Duração da temporada: até 1º de novembro

Crédito da foto: Beto Garavello


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